domingo, 22 de fevereiro de 2015

A CULPA NÃO É DAS ESTRELAS!


Atribuir a responsabilidade por um erro a alguém ou a algo é muito comum! O difícil é vermos alguém assumindo seu erro. O relato que vou narrar nesse artigo, como todos meus artigos, é verdadeiro. Eu apenas crio um nome fictício para os personagens, para não constranger e não cito o nome da comunidade, quando o fato ocorre em uma, pelo mesmo motivo. 

O fato que narro hoje aconteceu em uma comunidade do Rio de Janeiro, na jurisdição de uma delegacia onde trabalhei. Envolve três jovens e um só destino. Tive contato com os três, quando investigava um homicídio. 
Cheguei à delegacia em uma segunda feira, e recebi uma investigação de homicídio para trabalhar, buscando identificar o motivo e autor (es).

O crime havia ocorrido no fim de semana e a imprensa estava na porta da delegacia em busca de informações. Não tínhamos nada ainda. E precisávamos agir com rapidez em busca de indícios que nos apontasse a autoria. 
A vítima era um comerciante muito conhecido na localidade. Iniciamos a investigação ouvindo parentes e amigos da mesma. Mas confesso que não caminhamos muito! Mas eu sentia que o motivo levava a maldita Droga
Percebia que todos os que foram ouvidos sabiam algo com referência ao motivo. Mas por algum motivo não falavam! Foi quando resolvemos observar o local do homicídio. Observar o movimento no horário em que aconteceu, as pessoas que frequentavam o local... Em fim!



Foi quando observei um grupo de menores que ali sempre estavam andando de Skate e um Senhor que puxava uma carroça e catava latinhas, vasculhando o lixo. Aproximei-me deste senhor e tentei conversar com ele. Era um senhor de aparência humilde, que devia ter uns 65 anos e notoriamente inteligente, expressava-se muito bem!



Comecei conversando sobre sua atividade e se conseguia manter sua família com esse trabalho, se sofria discriminações... Até que o perguntei se estava na praça no dia do homicídio e se havia visto algo. Seu semblante mudou e limitou-se a pedir licença e dizer que não queria envolver-se com isso. Pois tinha dois netos para criar.
 Mas ao mesmo tempo, desabafou apontando para os garotos que andavam de skate dizendo. Eu preciso trabalhar e criar meus netos. Só que não quero cria-los como os pais desses meninos criam essas crianças. Tem muitos aí que passam o dia aqui e entram pela noite. Não vão para a escola e vivem envolvidos com drogas.

 Porque não os investiga? Talvez encontre a resposta que procura entre eles. Eu tenho que criar meus netos e por isso nada sei. Criar os filhos assim é fácil! Pois se tornarem-se bandidos, é fácil arrumar uma desculpa. Agora até a culpa nas estrelas põem!
O Senhor afastou-se e fiquei a pensar e observar os meninos. E passei três dias observando. E percebi que um grupo realmente ficava o dia todo ali. Resolvi então me aproximar de um deles. E logo me vi cercado por uns quatro.





Perguntei qual era o mais “FERA” entre eles no skate. E um deles falou assim: É o “PINGO”! Perguntei pelo “Pingo” e o menor do grupo disse: A chapa ferveu para ele e vazou! Ao falar isso foi criticado pelos demais que o chamaram de vacilão, o mandando calar a boca. Limitei-me a observar e nada falei, vindo a abordar o menino outro dia sozinho.
 Mas antes, procurei saber quem era o “PINGO” e descobri que tinha duas entradas na delegacia por porte de drogas e outra por furto, quando tinha 12 anos e 14. Ao abordar o menino, conversei com ele e o mesmo me deu as informações que eu precisava, e que apontavam o “PINGO” com 16 anos, sua irmã de 15 e um colega de 17 anos.

Com a informação, identifiquei os três. E soube que sua irmã não tinha passagem. Já o menino de 17, namorado da irmã do “PINGO” tinha passagem por tráfico. Agora eu precisava só da confissão e do motivo que os levou a cometer o homicídio. Buscamos os três e os transportamos a delegacia separados. E separados os mantivemos até o término da investigação.





No tramite da investigação, ficou apurado que os três estavam envolvidos de fato. O motivo foi uma dívida de drogas que a vitima havia contraído. Quem executou foi o “Pingo”. O namorado da irmã de “PINGO” e sua irmã ficaram na cobertura. E que a arma, havia sido entregue ao PINGO pelo namorado da irmã. 
Uma vez desvendado o CRIME foram entregues a JUSTIÇA e por serem menores, foram conduzidos a uma instituição para menores infratores, onde ficariam por no máximo dois anos.



Agora vem a pergunta que não quer calar. 
De quem é a culpa?
Como disse aquele senhor que catava latinhas, das estrelas é que não é.
Gostaria de ouvir de cada um que ler esse artigo, de quem é a culpa. 
De quem você acha que é?


E não esqueça, seu comentário faz toda diferença, deixa o seu ai embaixo ok! Image Map
Um abraço!


Pedro Chagas
 (Um TIRA metido a Escritor!)

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